As maiores confusões,

problemas, desilusões do mundo foram causados pela falta de diálogo. E o diálogo não é simplesmente dizer o que pensa. O diálogo é baseado PRINCIPALMENTE em ouvir.

E é por isso, que a maioria das pessoas foge dele. Elas tem medo do que podem ouvir.

E não do que podem dizer. As vezes nem se importam com o que gostariam dizer, desde que não tenham que ouvir nada que não gostariam.

A grande diferença disso tudo é quando você se dispõe a conversar com alguém e a pessoa se dispõe a te ouvir. Então você diz, o que cada pedacinho do seu coração quer dizer, medindo palavras, pensando antes de falar. Sem esquecer nem ocultar nada.

A outra pessoa te ouve. E então ela fala. E VOCÊ ouve.

E no final disso tudo. Você pode ouvir coisas, que embora não acredite antes do início da conversa, farão de você uma pessoa melhor. Mais calma, mais leve.

Não deixe alguém que você gosta simplesmente ir embora porque você pensa algo a respeito dele. Um dia, mais pra frente você vai ficar feliz ao ver que não deixou nada por dizer.

E do futuro, quem sabe?

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Todo mundo

tem que começar de novo. O problema é quando o “começar de novo” tem a ver com se arriscar de novo, se machucar de novo, se enganar de novo. Mas quando você não começa de novo, você não tira do seu coração aquilo que já passou da validade, você esquece que alguns sentimentos por algumas pessoas são perecíveis, e se a pessoa esquece ele lá ele simplesmente estraga.

Então, as vezes vale a pena arriscar. Mesmo que você se machuque outra vez, que outro sentimento estrague dentro de você, há sempre aquela chance de encontrar alguém não perecível para colocar em seu coração.

E você vai saber se é a pessoa certa, porque afinal, o que não mata, engorda.

Capuccino II

– Ora, vou chamar de que se é esse o seu nome? Nina querida, coma um pedaço de bolo, você não se alimenta de letras.

– Eu sinceramente não sei o que seria de mim sem vocês.

– Uma pessoa que paga capuccino e bolos de chocolate como todas as outras.

– PEPE!

– Isso Francisca, me chame de Pepe.

Dona Chica revirou os olhos em desaprovação e sentou-se ao lado da mulher sentada no balcão.

– Meu bem, você freqüenta meu café desde que chegou na cidade certo?

Ao ver que a mulher concordava prosseguiu.

– Então porque nunca me trouxe ninguém? Um amigo, um namorado?

– Porque não mantenho relações afetivas, isso na minha opinião inclui amizade, com humanos do sexo masculino, com idade superior a dez anos e inferior a cinquenta que não seja meu pai, meu irmão ou meu avô.

– E porque toda essa frieza?

– Porque eu tenho um coração de papel.

Pepe sorriu um tanto incomodado com a resposta de Nina e indagou.

– E é nele que você escreve o tempo todo?

Nina sorriu com a preocupação e curiosidade dos dois.

– Na verdade eu escrevo sobre corações, sentimentos, pessoas que eu mesma crio. Para que eu possa controlá-los e não me surpreender. Eu nunca leio um livro antes de saber o final, odeio surpresas.

– Algumas são agradáveis.

Chica tentava persuadir a mulher.

– Jamais. Obrigada pelo capuccino e pelo bolo. Mas saibam que as únicas pessoas em que confio aqui são vocês. Tenho algum trabalho pela frente hoje, acho inclusive que não venho amanhã.

Levantou-se fugindo de mais perguntas, beijou a testa de ambos e com característica frieza saiu do estabelecimento praticamente vazio.

Capuccino

Um capuccino exalava fumaça enquanto esperava que alguém o tomasse no balcão daquele pequeno café. Não parecia muito agradável uma vez que frente aos outros estabelecimentos da região não era moderno nem de alta procura. A pequena entrada com duas das luzes do letreiro iluminado quebrada, fazendo com que as pessoas lessem “FÉ DA DONA CHICA” fazia parecer mais uma casa de macumba. E era exatamente por isso que a pessoa sentada frente ao balcão estava lá. Não pela macumba claro, mas pela aparência anti-social do local.

Um senhor terminava de passar mais cafés para os outros fregueses quando com um ar de reprovação parou frente a garota.

– Qual a sua dificuldade de tomar o café enquanto está quente, querida?

A mulher como de costume não respondeu enquanto não terminou de escrever o que tinha em mente. Era um caderno pequeno, provavelmente encapado pela mesma que levava a palavra LIXO em sua capa e na contra capa algumas frases em espanhol.

– Tenho que terminar o raciocínio Pepe, café me desconcentra.

O senhor fingiu estar ofendido e com habilidade jogou o pano de prato acima do outro ombro.

– Então porque não faz isso em outro lugar?

O caderno foi fechado com certa satisfação e a garota mantinha um sorriso divertido nos lábios.

– Porque nenhum lugar tem um dono tão velho e rabugento com bochechas rosadas que me dá capuccinos de graça.

– José! Deixe-a escrever em paz homem! – exclamou uma senhora bem gorda que aproximava-se dos dois com um apetitoso bolo de chocolate em mãos.

– Já disse que não gosto que me chame de José quando estamos em público.