Eu gostaria de poder escrever

 

alguma coisa que fizesse as pessoas se identificarem. Algo que acontecesse com todo mundo e alguém olhasse e sorrisse pensando ‘olha, eu não sou a única’. Gostaria de escrever, porque raramente eu leio algo assim.

Eu não sou uma garota normal. E eu tenho pessoas ao meu redor que chegam a se irritar comigo por alguns pensamentos autodepreciativos que eu posso ter. O que ninguém entende é que eu não nasci assim. Que acontecimentos durante toda minha vida me tornaram assim.

Certo dia conheci alguém que me prometeu o mundo. Quando no terceiro dia que me via já não me queria. Que prometia que ia ligar e não ligava. Que via meu número no celular e não atendia. Que preferia fingir que eu não existia quando eu só queria dizer que quando precisasse de mim eu estaria alí. Eu conheci alguém que eu queria só abraçar, como uma amiga, ou uma estranha, no dia do aniversário, mas que não queria meu abraço. Alguém que queria poder me congelar pra depois descongelar quando quisesse e me ter por aquele momento.

O único problema é que meu coração era quente demais para ser congelado.

Então eu fugi. Mudei os rumos, não mudei meu pensamento, não exclui a dor, só adiei…pra mais tarde fazer exatamente o que ele queria fazer, descongela-la.

E embora eu soubesse que estava descongelando a minha dor eu o fiz. E então doeu. E então aconteceu de novo. E eu fugi.

Mas dessa vez eu vi que fugir não adiantou. É como uma maçã que você morde e guarda no fundo da geladeira. Você não a vê, mas ela permanece mordida e quando você encontrá-la ela vai estar daquele jeito e não reconstruída.

Então eu conheci outra pessoa.

E eu estava com todas minhas cicatrizes e medos e inseguranças. E infelizmente minhas inseguranças são se curam facilmente. Era medo de não receber uma ligação, medo de ligar. Medo do dia seguinte. Um encontro era sempre sentido com a última vez. Como se fosse possível se preparar para alguma coisa.

As pessoas não são iguais.

Sinceridade foi uma coisa que nunca existiu nesse aspecto para mim. E ver uma pessoa ser sincera é extremamente estranho e alucinante. Eu quero mudar. E eu acredito em magia. Acredito em querer e poder.

Eu preciso de tempo. De paciência. Eu preciso sorrir. Porque antes de qualquer coisa eu era capaz de sorrir o tempo todo. E nada muda minha essência.

Porque uma maçã mordida ainda é uma maçã.

E eu estou aprendendo a confiar nas pessoas e não me apoiar nelas para confiar em mim. Eu estou lembrando que existe alguém dentro de mim que faz as pessoas gostarem de conversar comigo, de estar comigo. Que é capaz de ligar para mim porque sente vontade e quer me ouvir.

Eu estou aprendendo que a confiança não surge só quando alguém cria um compromisso para que você se sinta segura. Porque tudo tem um fim e quando isso terminasse eu teria duas mordidas. Até a maçã acabar.

Mas eu preciso de tempo. De paciência. De coragem.

Existem tantas formas de amor no mundo, é bom conhecer grande parte delas.

Quando tudo isso acabar eu vou poder olhar para o espelho e dizer “nossa, eu sou mesmo especial”. Embora isso hoje, pareça possível só com magia.

Sem problemas. Eu acredito em magia.

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