Meu adorável (des)conhecido

Eu conheço cada fio do seu cabelo que se enrosca nos meus dedos quando eu te faço um cafuné.

Eu conheço cada veia saltada que você tem nas têmporas e que aparecem só quando você fica nervoso.

Eu conheço todos os níveis e os desníveis da sua voz que mudam confome as emoções que você sempre tenta não demonstrar.

Eu conheço o som da sua respiração que sai quase como um rosnado quando você está realmente irritado.

Eu conheço cada dentinho meio tortinho (e que te da um charme inacreditável) que você tem dentro da boca e que me faz feliz quando você sorri para mim.

Eu conheço cada movimento que você faz com as mãos, principalmente quando você junta as mãos na testa e deixa os polegares de ambas levantados quando quer se acalmar para explicar uma coisa muito difícil de ser explicada.

Eu conheço cada engasgada que você dá quando está mentindo e eu sei que você da uma leve torcidinha de nariz quase imperceptível quando alguém diz alguma coisa que te irrita.

Eu conheço os seus gritos de fúria e angústia quando a torcidinha do nariz não é cabível perante uma injustiça muito grande.

Eu conheço o movimento que as suas sobrancelhas fazem quando você está impaciente mas não quer ser desagradável.

Eu conheço cada pontinho verde que tem dentro dos seus olhos castanhos, e tambem cada pontinho castanho que existe nesses seus olhos verdes e que quando eu fico tentando descobrir se existem pontinhos mais verdes ou mais castanhos me hipnotizam e eu não consigo pensar em mais nada a não ser você.

Eu conheço cada tom arrogante e irônico que você leva dentro de você e isso as vezes me irrita profundamente.

Eu conheço o toque dos seus dedos no meu rosto quando eu fecho os olhos e você tenta me acalmar.

Eu conheço tanto a sua cabeça que quando você fecha os olhos para dormir e eu faço isso ao mesmo tempo, mesmo quando a gente está longe eu posso sentir e eu sussurro mentalmente “boa noite meu bem” e eu sei que você pode me ouvir.

Eu conheço cada maldito impulso que você tem sobre tudo e que muitas vezes te faz meter os pés pelas mãos e me magoar e então quando eu digo que tudo acabou, que eu não quero mais te ver, te ouvir, te sentir, quando eu fico um, dois, três dias ou meses sem falar com você… Você tem o impulso mais poderoso sobre mim, que é o de entrar em todos os meus sonhos e sorrir com os dentinhos tortos, me olhar com esses olhos sem cor definida, acariciar meu rosto e me deixar te fazer um cafuné.

E eu conheço a minha reação de te perdoar e te fazer presente outra vez.

Mas eu desconheço os meus impulsos de sair correndo da minha casa as seis horas da manhã para entrar correndo em um aeroporto e implorar para você ficar.

Eu desconheço as batidas do meu coração quando eu PENSO em você, na sua voz, no seu cheiro, no seu olhar, no seu sorriso.

Eu desconheço os meus choros compulsivos de ódio profundo que começam da sua capacidade indiscutível de me fazer ficar DESCONTROLADA.

Eu desconheço minha insistência e desconheço mais ainda a forma que eu minto para mim e para todas as pessoas perto de mim fingindo que você não tem mais importância nenhuma.

Eu desconheço a força que eu pareço ter adquirido nos últimos anos e que depois de tantas escolhas e renúncias construiram um forte de emoções entre nós dois.

Mas o que eu mais me intriga é o fato de nem mesmo as palavras “conhecer e desconhecer” serem amplas o suficiente para assumir a forma do que eu sinto.

E embora eu não te conheça eu duvido que exista alguém no mundo que o conheça mais do que eu.

(Carolina Ruedas)

 

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