querido distante…

Eu gostaria lhe dizer que nessa noite fria eu espero que você tenha alguém para te aquecer. E também espero que você tenha alguém para abraçar e dizer “que bom que você está aqui”.

Eu quero que você possa comer porcaria jogado no sofá da sala assistindo um jogo de futebol.

Eu quero que você tome cerveja com seus amigos e que juntos possam fazer comentários maliciosos ao ver uma mulher bonita passar.

Eu quero que você sinta falta de um abraço de mãe e que em um dia comum, sem avisá-la, você vá para casa e amasse-a de tanto amor.

Eu quero que todos os dias você sorria por estar vivo e por ter a chance de melhorar.

Eu quero que você leia livros, que você visite museus, que você viaje.

Eu quero que você conheça pessoas e lugares tão incríveis e se isso te custar algum relacionamento sem liberdade, que seja! Eu quero que você seja livre assim, para que eu possa da onde eu estou, observar de longe o seu sorriso.

Eu quero que você chore. Porque quando estamos tristes precisamos chorar. E se você tiver vergonha, eu tenho uma dica: Abrace seu travesseiro e conte a ele o que aconteceu.

Eu quero que você seja você mesmo o tempo todo. Mas o dia que você quiser brincar de alguém que você seja um alguém bem legal tipo um jogador de futebol.

Eu quero que você se canse. Do trabalho, das pessoas, do mundo. E então, que você descanse até de si mesmo para poder continuar.

Eu quero que você fique longe de mim o tempo que for necessário, ainda que esse tempo seja eterno. Porque a distancia me faz te amar de mansinho, de um jeito tão levinho e calmo que me faz suspirar. Mas eu PRECISO de você perto de mim, porque a saudade faz com que eu te deseje tão desesperadamente, tão erroneamente, tão infelizmente que eu não posso suportar.

Eu quero que você encontre o amor. E não estou te pedindo para encontrar o amor aqui, porque eu não preciso que você o encontre eu só sei que ele existe. Encontre-o nos braços de uma mulher bem especial, que tenha um sorriso bonito e te faça sorrir todos os dias quando você acorda e ela está se afogando nos próprios cabelos enquanto respira calma a seu lado na cama.

Eu quero que você tenha filhos, um, dois, dez.. Filhos com a mesma mulher ou com várias. Filhos homens, filhas mulheres. Herdeiros da sua personalidade que embora algumas vezes incompreensível é sensacional.

Eu quero te ver explodindo. De amor, de alegria, de ódio, de rancor. Quero também que você controle a maioria de seus impulsos, mas que deixe alguns guardados para quando eu sentir saudade.

Eu quero que você mate a minha saudade. Afogada, enforcada, estrangulada, envenenada. Mas que você ressuscite-a cada vez que você tiver que ir, para que eu não te esqueça.

Eu quero que você entenda que o que eu escrevo para e sobre você não é algo impessoal. Não adianta alguém copiá-lo e entregar a outra pessoa em um aniversário, porque embora possam tirar seu nome dele é impossível tirar a sua essência.

É impossível que exista outro Alfonso com o cabelo cheio de cachinhos (que as vezes são raspados). Outro homem com aquele sorriso de menino que mesmo quando eu estou irritada e não quero te ver me faz sorrir.  Outro menino que tenha olhos “verde-café” e que quando está com sono os diminui drasticamente, fica com as bochechas rosadinhas e faz com que eu tenha vontade de fazer um cafuné e esperar dormir.

Eu não te quero aqui, ao meu lado, pendurado na parede para que eu possa te tocar quando quiser. Eu te quero aqui, em uma parte de mim tão escondida que nem você sabe que existe (não que você saiba algo sobre qualquer parte de mim).

Eu te quero aí, feliz, menino, homem, velhinho…

Eu não gosto de chegar a essa parte e pensar que daqui há alguns anos seus cabelos serão brancos e talvez te deixarão calvo (um calvo imensamente charmoso). Não quero pensar que você se sentirá mais cansado do que hoje, que não poderá mais beber como bebe agora, que estará sentado em uma poltrona lendo algum livro estranho (talvez El laberinto de la soledad) que você gostava na juventude e agora talvez não faça tanto sentido. Não quero pensar que você terá uma velhinha ao seu lado e crianças sujando sua casa com água do aquário dos peixinhos, já que seus filhos aproveitam de sua ótima situação para deixar que os netos brinquem com as estatuetas de premiações (extremamente merecidas) do vovô.

Eu não quero pensar nada disso porque acreditar que eu passei tanto tempo só te guardando naquela parte escondida de mim dói. Mas eu compenso a minha dor se você puder sorrir (e eu puder olhar bem quietinha, de um lugar bem longe).

Há tanta coisa que eu gostaria de lhe dizer, querido…

Mas nosso cérebro é tão falho que quando temos muito para dizer não dizemos nada.

Há tanta coisa que eu não queria sentir, querido.

Mas nosso coração é tão perfeito que quando nada queremos sentir, sentimos tudo.

No fim de tudo isso, eu só quero poder fechar meus olhos, agradecer a Deus pelo erro divino que me fez tomar conhecimento de você e pedir com cuidado que você possa sentir inconscientemente esse tanto de amor que um dia não caberá só em mim.

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Sapo bom é sapo morto

Eu andava meio irritada em relação a coisas que podem mas não são, que puderam mas não foram, que poderão mas não serão.

Eu chorava meio ressentida quando percebia que algumas coisas pelo contrário não puderam e não foram, não podem e não são.

Sabe, a ideia pra mim nunca foi um cara para colocar num potinho. Eu não procurava o mais bonito, o mais legal, o mais inteligente. Talvez por achar que ‘os mais’ não eram pra mim. Mas se você quer saber no final eles eram sim. Os mais idiotas, os mais insensíveis, os mais falsos, os mais cruéis.

A gente tem mania de categorizar todo mundo que fez a gente sofrer e simplesmente esquecer quem a gente fez sofrer (as vezes a gente nem percebe que fez alguém sofrer).

Se eu dissesse que não acredito no amor seria meio ridículo, uma vez que quando chega dezembro e eu assisto aqueles filmes da sessão da tarde eu acredito até em papai noel. (sério).

Mas eu não sei se ‘to aí’ pro amor. Não sei do verbo não saber mesmo, porque eu nunca tive um “amor”. Alguém por quem valesse a pena enfrentar o pai, apresentar pra família, mudar o status do perfil no site de relacionamento. Pode ser que eu idealize muito o tal do amor, ou que as pessoas banalizem muito o coitado.

De fato eu encontrei muitos sapos na minha vida. Sapos que se faziam de príncipes. Sapos que eram sinceros demais. Sapos que eram infantis demais. Sapos despreocupados demais. Sapos com muita maconha na cabeça. Sapos sem cabeça. 

O que não da pra negar é que eu encontrei alguns príncipes por aí também. Príncipes lindos de morrer mas que eram burrinhos tadinhos… Príncipes feios de viver mas eram extremamente inteligentes. Príncipes lindos e inteligentes mas que grudavam mais do que chiclete. Príncipes comprometidos. Príncipes metidos.

Pelos sapos eu sofri. Para os príncipes eu menti.

E eu não tenho coragem de encher a boca pra falar “eu quero um amor”.

Porque foi a ausência dele (em versão masculina que você pode beijar e abraçar quando quiser) que me permitiu ser mais amiga, estar mais com a minha família, sair pra balada todo final de semana, correr atrás de artista…

Eu não sei se estou pronta pra abrir mão dessa minha liberdade.

Confesso. Muitos desses grilos vem porque alguém(ns) lá atrás me fez chorar. E que talvez se eu tivesse dado uma chance pra um daqueles príncipes eu teria alguém para colocar no relacionamento sério do facebook.

Mas quer saber? Não era o MEU alguém.

Eu não vou sair feito louca procurando um rolo/namorado/amante/marido. Eu me dou ao direito de ficar na minha e esperar. Eu me dou ao direito de não ter que tomar iniciativa nenhuma. Eu me dou ao direito de ser uma princesa até quando eu quiser ser. 

Porque eu sei, que quando o tal do amor chegar MESMO eu vou ‘estar aí’ pra ele e ele vai estar aí pra mim.

Mas uma coisa é certa,

sapo bom é sapo morto ou compro(metido).