paranoia

Eu não quero dúvidas, ambiguidades, suposições. Eu quero clareza, atitude, imposição. Eu quero verdade. Mas é mentira que eu falo só a verdade. É mentira que eu falo 50% da verdade. É mentira que eu falo 10% da verdade. Porque a verdade me da medo. E eu também não quero medo. Ou eu quero que SÓ EU possa sentir medo. Quero que as outras pessoas não tenham medo de dizer, de fazer, de mostrar alguma coisa. Mesmo que isso possa me magoar depois. Depois eu não vou querer que ela tenha dito, eu vou ser injusta mas na verdade é isso que eu quero. Eu não conheço paciência, só conheço a agonia. Mais do que isso, eu não conheço uma única pessoa que saiba conviver pacificamente com minha agonia, meus medos, minhas verdades, minha clareza, minhas atitudes, minhas imposições, minhas ambiguidades, minhas suposições, minhas dúvidas. Eu falo todos os dias para mim mesma: PARA NOIA! mas ela não para.

Anúncios

Falta-me-sobra

Me falta alguém pra ouvir minhas piadas e dar risada depois, mesmo que elas não tenham graça. Me falta alguém pra me obrigar a fazer as coisas do jeito certo quando eu não to nem aí pra nada. Me falta alguém pra me fazer mudar de idéia e começar a acreditar em coisas que eu já não acreditava.

Me falta um sorriso insistente quando eu to brava, um cafuné sem sentido quando eu to cansada, um abraço quieto quando eu não quero dizer nada. Me falta um ouvido para escutar todas as minhas dúvidas sobre o mundo e um comentário que me faça rir e parar de pensar tanto.

Me falta compreensão quando eu dou uma de maluca e companhia quando eu não quero enlouquecer sozinha. Me falta paciência para aguentar meu choro sem sentido e coragem para chorar junto comigo.

Me falta um olhar que queira dizer tudo mesmo que não diga nada e também falta aquela brincadeira de que tem que parecer sério mas no final todo mundo dá risada.

Me falta alguém que não se importe se eu ponho o pronome no início da frase, se eu jogo o carro na frente dos bois, se eu transformo uma mensagem não respondida em uma guerra química, se eu fico brava com uma brincadeira boba.

Me falta mãos dadas, cinema, pipoca, bala de goma e coca-cola.

Me sobra tanta coisa que me falta.

Mas também me sobra liberdade, me sobra vontade, me sobra coragem, me sobra amizade, me sobra alegria, me sobra miopia, me sobra cabelo, me sobra amor. Sobra tanto amor que as vezes eu transbordo por aí. E as pessoas correm, me acham estranha, impulsiva, grudenta, equivocada, maluca, desesperada.

E é aí que mesmo cheia de amor eu choro e pra parar de chorar eu conto piadas e quando eu conto piadas eu percebo que me falta alguém pra ouvir minhas piadas e dar risada depois, mesmo que elas não tenham graça…

Carolina Ruedas

Que culpa eu tenho

Se eu durmo de luz acessa, se eu gosto de assistir desenho animado, se eu não quero me desfazer dos meus bichinhos de pelúcia?

Que culpa eu tenho se eu tenho aflição de lutas, se eu (apesar de me esforçar) não entendo futebol, se eu não faço academia e não abro mão de um hamburguer?

Que culpa eu tenho se eu tenho um pijama rosa peludinho enorme de macacão, se eu gosto de pantufas, de chocolate, de calcinha de bichinho?

Que culpa eu tenho se eu fico chateada quando as pessoas são grossas comigo, se eu choro lendo livros, se eu chamo a minha mãe quando estou triste?

Que culpa eu tenho se eu não sei nadar, se eu não sei virar estrelinha, se eu não gosto de pizza, se eu corro atras de artista?

Que culpa eu tenho se eu acredito no amor dos livros e dos filmes mas quando dizem pra mim que isso acontece na vida real eu não acredito?

Que culpa eu tenho de querer conhecer outras pessoas, de querer distribuir abraço de graça, de sorrir pra quem eu não conheço?

Que culpa eu tenho por não sentir culpa nenhuma por nada disso?