O dia que mandei Alfonso embora.

Passou tão rápido que eu não consegui perceber que já tinha passado. Passou tão cortante que eu me machuquei e fiquei sentindo uma dor constante por viver em um tempo que já se foi. Passou tão cruel que quando eu me dei conta já repugnava mais da metade das coisas que um dia adorei.

Passou voando e derrubou as máscaras, os biombos, as fortalezas e me mostrou as pessoas. Passou um, dois, três, quatro, cinco anos. De tentativas frustradas, de choros contidos ou desesperados, de sonhos dormindo e acordada, de loucuras sem medida.

Passou os ‘quinze anos’ e o deslumbro daquele primeiro momento. Passou os ‘dezesseis’ e a luta para ter o MEU momento. Passou os ‘dezessete’ e a inconformidade com o desencontro. Passou os ‘dezoito’ de saudade de alguma coisa que nunca aconteceu. Passou os ‘dezenove’ rápido como um avião que chega ao aeroporto, mas doloroso como alguém que espera no desembarque a uma pessoa que não apareceu. Passou os ‘vinte’ com idéias já defasadas, com frustrações eminentes, com acúmulo de (d)esperanças.Passou e parou. Não parou de doer. Parou de passar. Quebrou uma rotina, rompeu uma corrente. Ficou o rastro de saudade intrometida, de sofrimento ressentido, de tudo que um dia era pra ser e não foi.

Mas se tudo passou. Isso passará também. Ficou a certeza de que uma hora as pessoas cansam de tentar, não por covardia, mas porque a dor fica insuportável.

O destino é tão forte que as vezes nem toda vontade do mundo, muda algo que não era para acontecer.