Pelo fim da ajuda.

Demorou algum tempo para eu descobrir uma coisa tão simples que ninguém repara. A palavra ajuda não deveria existir.

Não deveria existir porque ela foi carregada de conceitos e discursos equivocados. Quando você diz que ‘ajudou’ alguém significa que fez um favor para essa pessoa e quando você faz um favor à alguém você automaticamente tem um favor de reserva.

Funciona mais ou menos assim: você me ajuda, então você ganha créditos comigo e quando você precisar de ajuda eu te ajudo.

Mas o que é mais estranho é que não existe uma palava que descreva o ato de ajudar sem pensar na troca ou fazer um favor sem cobrá-lo depois. E por não existir essa palavra as pessoas esquecem de como é gratificante ‘ajudar’ só pela vontade de fazer o bem.

Eu não estou falando em obras de caridade ou trabalho voluntário. Eu to falando do dia-a-dia mesmo. Da caneta que você empresta para um colega no trabalho e volta mordida e além dele já te dever um favor (por você ter emprestado a caneta) ele ganha pontos negativos com você porque mordeu a caneta. Qual a diferença se ele mordeu a porcaria da caneta? Uma caneta vai sempre continuar sendo uma caneta.

Parece ridículo quando se usa uma caneta como exemplo. Mas é grande, eu juro.

Ontem enquanto eu conversava com uma amiga nós falávamos sobre estar no último ano da faculdade e de todas essas mudanças que acontecem desde a adolescência até essa nossa fase quase-adulta.

E ela parou por um minuto e me olhou com muito carinho, mais carinho do que costuma me olhar normalmente e disse:

“Você já se deu conta que você que me obrigou a vir até a faculdade declarar meu interesse pela vaga na última chamada do vestibular? Porque eu mesma nem estava acompanhando as listas sem esperanças? E então você veio comigo e eu passei e você não, mas se não fosse você eu não teria começado essa faculdade, eu não estaria no último ano de uma faculdade pública, eu não teria mudado para outra cidade, não teria conhecido pessoas eu nem se quer saberia quem é meu atual namorado. Se não fosse por você, nada disso teria acontecido.”

E eu fiquei tão surpresa e tão feliz ao mesmo tempo porque eu JURO que não lembrava de nada disso, não lembrava que tinha a encorajado a ir comigo aquele dia na faculdade e que ela tinha se matriculado por isso.

E se eu lembrasse? E se tivesse ficado com isso na cabeça e todos os dias ficasse esperando que ela retribuísse meu favor?

Minha mãe disse que isso chama maturidade. Que já aconteceu algumas vezes com ela também. E eu duvidei a princípio, porque conheci dezenas de pessoas mais velhas que eu e que seriam incapazes de ‘ajudar’ simplesmente por ajudar. E então eu percebi que maturidade não tem nada a ver com idade cronológica. Que maturidade não vem da cabeça, vem do coração.

Eu sou a favor do fim da ajuda para que surja algum outro nome cuja base seja o amor.

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