I wish I could just make you turn around

 

Eu tenho vergonha de mim. Por me sentir assim, mas tenho mais vergonha ainda por te sentir assim.

Eu tenho vergonha de culpar uma a uma as pessoas que me fizeram ficar sempre longe de você, que não mexeram um único dedo para me ajudar, que ficaram assistindo para ver o que iria acontecer. E eu as culpo incansávelmente dentro de cada pedaço da minha cabeça mesmo que eu saiba que elas não tem culpa alguma. Mas eu preciso ter alguém para culpar.

Ainda que esse alguém seja eu. Eu preciso provar para mim mesma que eu sou a culpada, que tudo que deu errado até hoje é culpa exclusiva minha, que você existir em mim é culpa minha e não sua.

Mas eu não consigo me culpar, te culpar ou culpar qualquer outro.

Algumas vezes eu respiro fundo e repito para mim que não há nada que entender. Que na verdade o que aconteceu e vem acontecendo e não para de acontecer é uma daquelas coisas sem explicação e sem importância. E o fato de nunca poder te ter perto de mim não afeta o mundo, não afeta você, só me afeta.

Então, qual a relevância de algo que só afeta uma pessoa em um mundo com tanta gente?

Mas o problema é que EU não consigo. Eu não consigo superar um estúpido monstrinho que mora dentro de mim e faz o que eu peço para os outros não fazerem: grita seu nome, mostra seu rosto, soa sua voz, exala seu cheiro ainda que eu JAMAIS tenha sentido esse cheiro.

E eu tenho vergonha de mim por não ser capaz de esquecer essa história ridícula que nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Eu tenho vergonha de mim por não conseguir colocar um ponto final. Eu tenho vergonha de não assumir que eu tentei e fiz o que pude o tempo todo e não deu. Então não tem mais o que fazer.

Então eu imploro para que as pessoas me ajudem a esquecer. Para que o MUNDO me ajude a esquecer. Eu imploro para as letras do seu nome sumirem do alfabeto, para suas fotos desaparecerem de todos os lugares, inclusive da minha mente. Eu imploro para parar de sentir seu cheiro, imploro para as pessoas pararem de dizer seu nome e pararem de comentar sobre você. Mas elas não param e eu também não.

Então eu guardo tudo dentro de uma enorme gaveta. Eu guardo seus cabelos, seus olhos, sua voz, seu jeito. Eu guardo meu ódio, minhas lágrimas, minha decepção, minha revolta. Eu guardo o seu nome, as suas fotos, eu guardo você dizendo o meu nome.

E eu peço para todos eles que por favor escondam a chave e não me mostrem nunca mais. Mas sempre vem alguém e mostra.

E chaves abrem cadeados, que abrem gavetas, que abrem feridas.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s