Laçofobia

Algumas pessoas tem medo do escuro, medo de altura, medo de água, medo de monstros, medo de animais, medo de fantasmas… eu tenho medo de laços. De qualquer tipo de laço, desde os mais simples e frouxos até os mais complicados e impossíveis de serem soltos.

Porque, assim como cair de uma montanha dói, quando um laço se solta a dor é a mesma, as vezes pior.

Aqueles laços que já nascem feitos e bem apertados com nós cegos impossíveis de se soltarem doem do medo de algum dia o impossível acontecer e quando você olhar, só restar uma fita solta e amassada. Mas essas laços, os de família, raramente se soltam. Porque laços de família vão sofrendo manutenção das mãos de uma coisa que se chama amor incondicional. O problema, é que nem todos os laços tem essa manutenção.

Eu tenho medo de formar laços com as pessoas erradas. Ainda que esse conceito de certo ou errado não tenha caído totalmente no meu entendimento, eu aprendi que alguns laços ficam malfeitos de um lado e quando se soltam, ainda que só desse lado, doem bem mais do que se tivessem se soltado dos dois.

Na minha cabeça, certos laços também tinham uma manutenção chamada amizade. Só tinha um problema. Amizade não é incondicional. E esses laços se soltam por motivos banais e afastam algumas pessoas pra sempre, deixando a fita largada junto com todos as lembranças de quando ainda existiam laços apertados.

Mas o meu maior medo são dos laços que são feitos, refeitos, laços, relaços, relacionamentos.

Eu prefiro inclusive guardar essas fitas com muito cuidado no fundo de um bolso bem escuro, como se elas fossem relíquias solitárias. Solitárias porque um dia foram muitas, que se tornaram laços malfeitos, que doeram um tipo de dor que permanece doendo por muito tempo. Aquele tipo de dor que me obriga a empurrar cada vez mais fundo cada uma das fitas e escondê-las como se eu já não tivesse nenhuma para formar um laço.

Acontece que vez ou outra, de tempo em tempo, chega alguém que com muito cuidado acaba pegando uma dessas fitas sem eu perceber, e com o tempo vai dando nós, e mais nós e mais nós… E eu só percebo quando o laço afrouxa, ou simplesmente desmancha, ou até quando a fita some, e a pessoa que pegou usa-a para formar outro laço com alguém. As vezes bonito e forte. As vezes um laço que nunca se solta.

E de noite eu choro de medo de encontrarem minhas fitas e fazerem outros laços malfeitos que doem quando se soltam.

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