Sobre ser Carolina

Eu evito escrever textos muito pessoais porque na verdade eu espero que as pessoas se identifiquem com o que eu escrevo já que isso me torna menos esquizofrênica do que eu costumo achar que sou.

Mas em alguns pontos eu me sinto tão singular que acho impossível tratar disso de outra forma a não ser com pessoalidade.

Para ser Carolina você precisa de um milhão de sorrisos e toneladas de simpatia até com quem você não conhece, isso inclui sorrir para pessoas estranhas, dar risada de piadas alheias, conversar com pessoas que parecem estar excluídas no trabalho, na faculdade, no banheiro da balada, no super-mercado. Inclui também rir do amigo que caiu no chão porque na grande maioria das vezes é VOCÊ quem cai no chão e inclui olhares de reprovação seguidos de gargalhadas e caretas mostrando a língua.

Você também precisa de uma dose de seriedade para os momentos que você precisa fingir que não é você, duas doses de insegurança, três doses de medo, quatro doses de traumas e no mínimo dez pessoas que saibam conviver com isso e gostar de você mesmo assim. Aliás, dez não, vinte. Ou trinta, ou quarenta. Cinquenta e a gente fecha, porque pra ser Carolina você precisa estar cercada de pessoas ainda que elas não estejam fisicamente presentes. Porque Carolinas não são introspectivas, quietas, fechadas. São abertas, escandalosas e efusivas.

Para ser uma legítma Carolina é importante ter um número incalculável de criatividade. Isso inclui sonhos malucos, ideias certas e erradas, paranóias e uma grande quantidade de palavras que juntas formam textos, cartas, protestos, piadas.

É preciso uma dose maior de alegria do que de tristeza e um pouco de mimimi para não deixar tudo muito monótono. É preciso a bipolaridade do medo e da coragem que hora ou outra se sobrepõem. É preciso ter um grande espaço dentro do próprio coração para ser preenchido com pessoas incríveis e não tão incríveis assim, livros inesquecíveis, filmes marcantes, comidas preferidas, músicas especiais, lugares preferidos no mundo e mais um montão de coisas.

Para ser Carolina é preciso ser grande por dentro ainda que seja pequena por fora e ser o suficientemente cheia de amor. Pra ter espaço para receber os outros tipos de afeto que existem no mundo e as outras formas de amor que saem das pessoas que vivem nesse mundo e que quando entram em contato com a Carolina simplesmente transbordam.

O principal para ser realmente Carolina é isso. Transbordar sentimentos e algumas vezes sentir dor por isso. E sentir medo por isso. E querer sumir por isso. E fugir das pessoas por isso. E então retomar a calma e pensar “Que mal há em transbordar amor?” e o melhor de tudo em ser Carolina é encontrar sempre mais um espaço para absorver o que é bom, deixar o que é ruim ir embora e então estar pronta para ser transbordada novamente.

A verdade é que talvez ser Carolina seja o mesmo que ser Mariana, Bianca, Priscila, Giovanna, Marília, Fernanda, Gisele, Joana, Maria Eduarda, Maria Cecília, Jéssica, Júlia e tantas outras exatamente desse jeito que existem por aí.

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