Retrospectiva

No primeiro dia de 2012 eu acordei, escovei meus dentes, comi alguma coisa qualquer daquela deliciosa mesa de café que a vovó preparou e fui até o hospital do câncer de São Paulo buscar o meu milagre, minha mãe. 

Então eu aprendi a cuidar de alguém como se deve fazer. Programei todos os horários de remédio no meu celular e acordava as duas, as quatro e as seis, levando um comprimido, um como d’água e um pedacinho de banana.

Eu aprendi também a ser mais ou menos fisioterapeuta e caminhar como passos lentos ao lado dela esperando até que ela pudesse se recuperar e sair correndo na frente. Aprendi a jogar canastra para ela se distrair e ter paciência comigo, com todos, com a vida.

Eu consegui o primeiro emprego importante da minha vida onde eu me propunha a fazer coisas que eu não aprendia na faculdade e coisa que eu SEI que não vou poder fazer quando me formar. Eu aprendi mais coisas do que aprendi em todos os outros empregos que tive e engoli a maior quantidade de sapos que consegui.

Conheci o prazer de ter meu próprio dinheiro para fazer tudo que um adulto responsável faz e tirei minha cnh. Gastei um pouco mais do que deveria na Zara, fui ao cinema sozinha todas as segundas-feiras do primeiro semestre e realizei um sonho.

Paguei sozinha um mês de curso de férias na escola Wolf Maya e tive certeza de que era aquilo que queria fazer. Então voltei, acordei do sonho e resolvi me moldar ao que estava ao meu alcance. Arrumei uma escola de teatro na cidade vizinha e resolvi encarar sete ônibus por dia para continuar atrás do meu sonho. Enquanto isso comecei a dar aula e me apaixonei pela minha meia dúzia de alunos, embora ser professora na verdade nunca foi o que eu quis fazer.

A escola de teatro faliu e antes que eu pudesse me deprimir eu caí na rede de um quase relacionamento promissor e fugaz. Isso adormeceu meu sonhos e me abriu uma janela de possibilidades. Eu cheguei por um minuto achar que pudesse fazer da minha cidade um lugar gostoso pra um amor.

Não funcionou e tão rápido quanto veio, foi… Então meus sonhos quebraram a gaveta onde eu os tinha escondido e gritaram comigo. Bateram na minha cara e escreveram com giz de cera nas paredes do meu quarto: VAI.

Chegou o natal e eu pude perceber o quanto é INCRÍVEL ter a família unida e ter minha mãe ao nosso lado nos fazendo sorrir o tempo todo. E o calendário do celular me aproxima do ano novo. Dessa vez sem tragédias. Sem desespero. Só com algum medo na sacola e a certeza de que se o mundo não acabou em 2012, eu preciso fazer ele de fato existir em 2013.

Apertem os cintos, tem alguém aqui saindo da zona de conforto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s