Aquela menina

Que engraçada era aquela menina que guardava nos olhos a vontade do amor. E não sabia se de fato era louca ou maluca, mas normal não seria, enquanto acreditasse naquela história de que em algum lugar no mundo existia a pessoa certa para você, para mim, para ela.

E tinha duas torneiras quebradas nos olhos que não paravam de escorrer sentimentos. Que menina estranha que tinha para dar ao outro, carinho demais. E as vezes o outro não queria e por não ter onde colocar esse tanto de amor, ela transbordava, inundava, escorria.

E tinha tanta vontade de mãos dadas que de vez em quando segurava nas mãos da incerteza e ia. Mas não sabia correr e sempre caía, voltando toda ralada desistindo de brincar.

E não entendia essa gente que tinha medo de se entregar, porque sabia que quem se entrega, se não gostar, pode se buscar.

E gostava de se sentir princesa. Mas as vezes parecia a boba da corte. Daquelas que entretêm a nobreza até acharem alguma outra coisa com mais beleza.

E se chateava. E não entendia. E esperava que naquele mundo um dia, aparecesse alguém (senão o príncipe, podia ser o sapo) a quem ela poderia entregar aquela coisa que nela veio com defeito de fabricação. Aquela que quando está perto da pessoa amada faz um barulhão. Aquela que tem gente que troca por pedra, dinheiro ou até outro fígado, mas na verdade chama coração.

 

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