Sobre ser superficial

Nunca entendi completamente o conceito “superficial” quando aplicado as pessoas. Cheguei inclusive a confundi-lo com futilidade , mas a tal da superficialidade só caiu nas graças do meu entendimento quando me vi irritada com um daqueles textos-asneira que ganham cada vez mais espaço nas redes sociais, ditando como as mulheres precisam se portar (e se vestir!) para serem levadas a sério.

Não me imaginei participando do movimento feminista até entender que ser feminista de fato é não impor as mulheres nenhum tipo de padrão para que possam ser levadas a sério. O fato dela existir já é suficiente para que seja respeitada por estar ali.

Quando era mais nova eu tinha a infeliz mania (adquirida por osmose via novelas e filmes hollywoodianos) de achar que as meninas que se portassem como galinhas (neste caso, as  que beijassem mais meninos do que a maioria) nunca arrumariam namorados que pudessem de fato, amá-las.

Presenciei inclusive, vivendo numa bolha no interior de São Paulo, que as meninas que adquiriam tal fama durante a sétima série a mantém até hoje mesmo que tenham namorados fixos, gente boa e que (vejam só!) as amam.

Nunca fui das “namoradeiras”. Não por uma questão de repressão comportamental, mas simplesmente porque não era da minha personalidade. E hoje, com 21 anos e um comportamento do qual minha avó se orgulha, ainda tenho que ouvir que sou estranha por não ter um namorado, que a culpa é minha por escolher demais e que se demorar  muito terminarei sozinha. Antes sozinha do que atrelada a um machista. Meu maior objetivo é poder criar meus filhos o mais distante possível desses padrões de comportamento obrigatórios para se dar bem na vida.

Como se não bastasse traçar um perfil ideal de comportamento para não ser considerada uma vadia, a roupa que você escolhe para sair agora também diz tudo que as pessoas precisam saber sobre você e sua personalidade. Como?

Alisar o cabelo, vestir salto, usar o perfume da moda, comprar vestidos a vácuo  e ir para a balada, demonstram claramente que você faz parte da massa de garotas superficiais e acéfalas da sociedade. Assim como mostrar as pernas e sair com um copo de bebida em mãos nas fotos do facebook te inutiliza como profissional e torna impossível o seu sucesso na vida acadêmica.

Quem é superficial afinal?

Uma das coisas que mais me irrita é quando as pessoas me dizem que sou muito mais legal do que pareço.

Fico me perguntando o tempo todo porque as pessoas não dedicam um tempo da vida delas para conhecerem umas as outras. Não é tão difícil quebrar preconceitos. É só parar com esse vício extremo de julgar.

Inferiorizar os outros nunca tornou ninguém superior. Só que as pessoas ainda não aprenderam isso.

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