Complexo de princesa

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Tenho 21 anos e a maior frustração da minha vida é não ter nascido uma princesa. E não to falando princesa tipo a Kate Middleton. Porque só de pensar em todas as exigências que essa mulher precisou aceitar para ter o casamento dos sonhos e ser parte da família real, tenho preguiça. Pra mim princesas nunca precisam abrir mão de suas próprias vidas e se tornam princesas a partir do momento que elas e as pessoas acreditam nisso.

Então, quando percebi que eu não tinha nascido em uma família Disney eu passei a  resolver meus conflitos sempre pensando no que uma princesa faria. Se você tem o mínimo de conhecimento em contos de fada, já sabe que ser princesa não é só aceitar quieta todas as exigências que lhe são feitas. Apesar de me considerar mais Jasmine do que Mulan, vez ou outra eu pego minha espada e vou a luta. E também tenho meus momentos de frescura tipo Aurora e Branca de neve, quando me tranco no quarto depois de uma desilusão qualquer e decido que vou dormir por cem anos.  No amor sou sem dúvida a Pocahontas que escolhe o caminho mais difícil, mas pelo menos ela tem uma árvore falante para ajudar, eu não.

Até agora nenhum John Smith rolou, o Aladim provavelmente era gay e fugiu com o Gênio da lâmpada e eu desisti de encontrar meu príncipe.

Se Tiana ficou com o sapo, a Bela escolheu a Fera e Fiona mesmo não sendo da disney arrumou um ogro pra chamar de seu, não deve ser tão difícil. Princesa que é princesa sofre muito antes de chegar no final feliz. Rapuzel e sua interminável dor de cabeça que o diga.

Acho que a verdade é essa. Apesar de me sentir Jasmine a vida toda e ficar fantasiando em ter um príncipe Árabe lindo e heterossexual me levando para voar de tapete mágico, sempre fui mais Rapunzel.

E na vida de Rapunzel, seja como for, sempre teve muito mais cabelo que história de amor.

 

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O que divide o quase e o nada.

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O que divide o cosmopolitan  e a xícara de café na manhã de um domingo ensolarado, vai muito além do quente ou frio que a gente sente quando eles escorrem pela garganta. Tem menos a ver com os ingredientes que a gente usa e mais com a forma que usamos. E pode ter certeza que as mãos que viram a taça e a xícara são tão distintas que um dia podem ser as mesmas. Porque é nessa confusão de quente e frio, diferente e igual, noite e dia, que a cereja do cosmopolitan e a borra de café de encontram.

É quase como dormir com uma camisola vermelha de seda e acordar usando um pijama cheio de elefantes. Ou deitar com o cabelo meticulosamente arrumado e quase sufocar com ele durante a noite. Ou observar lentamente como cílios falsos escorrem pelas bochechas na manhã de quem não teve vontade de tirar a maquiagem. É sofrer uma metamorfose durante os ínfimos minutos de uma madrugada e finalmente: não se importar. Porque das diversas maneiras que existem de se preparar um cosmopolitan antes de deitar, nenhuma seria útil para passar um café antes de acordar.

Só existe um segredo para acordar rápido com um café forte em um domingo lento: permitir-se.

O que divide o instante de um momento, do eterno de uma vida vai muito além dos ponteiros do relógio, ou do passar dos dias, ou do calendário inteiro. Tem mais a ver com entrega do que com renúncia. É a linha tênue entre a certeza do que é e o medo de não se sentir completamente seu. Aquela história estranha do peixe que morreu afogado porque não sabia nadar, ou porque não quis nadar.

Só existe uma saída para não morrer afogado em seu próprio mar: permitir-se.

O que divide o quase do nada não existe. Porque o quase nunca chegou a ser alguma coisa. É tentar pregar um quadro na parede com um pedaço de chiclete. Ou adoçar o café com sal. Ou preparar um cosmopolitan com água de salsicha. Quases sempre viram nadas.

Mas o que de fato divide o medo do sábado, do alívio de acordar no domingo e preparar um café para alguém que não é você, tem mais a ver com coragem do que com cautela.

Existem duas formas de fugir do nada: a primeira é não se apegar a quases que não se permitiram e a segunda é, mais uma vez, se permitir.

Sobre ser superficial

Nunca entendi completamente o conceito “superficial” quando aplicado as pessoas. Cheguei inclusive a confundi-lo com futilidade , mas a tal da superficialidade só caiu nas graças do meu entendimento quando me vi irritada com um daqueles textos-asneira que ganham cada vez mais espaço nas redes sociais, ditando como as mulheres precisam se portar (e se vestir!) para serem levadas a sério.

Não me imaginei participando do movimento feminista até entender que ser feminista de fato é não impor as mulheres nenhum tipo de padrão para que possam ser levadas a sério. O fato dela existir já é suficiente para que seja respeitada por estar ali.

Quando era mais nova eu tinha a infeliz mania (adquirida por osmose via novelas e filmes hollywoodianos) de achar que as meninas que se portassem como galinhas (neste caso, as  que beijassem mais meninos do que a maioria) nunca arrumariam namorados que pudessem de fato, amá-las.

Presenciei inclusive, vivendo numa bolha no interior de São Paulo, que as meninas que adquiriam tal fama durante a sétima série a mantém até hoje mesmo que tenham namorados fixos, gente boa e que (vejam só!) as amam.

Nunca fui das “namoradeiras”. Não por uma questão de repressão comportamental, mas simplesmente porque não era da minha personalidade. E hoje, com 21 anos e um comportamento do qual minha avó se orgulha, ainda tenho que ouvir que sou estranha por não ter um namorado, que a culpa é minha por escolher demais e que se demorar  muito terminarei sozinha. Antes sozinha do que atrelada a um machista. Meu maior objetivo é poder criar meus filhos o mais distante possível desses padrões de comportamento obrigatórios para se dar bem na vida.

Como se não bastasse traçar um perfil ideal de comportamento para não ser considerada uma vadia, a roupa que você escolhe para sair agora também diz tudo que as pessoas precisam saber sobre você e sua personalidade. Como?

Alisar o cabelo, vestir salto, usar o perfume da moda, comprar vestidos a vácuo  e ir para a balada, demonstram claramente que você faz parte da massa de garotas superficiais e acéfalas da sociedade. Assim como mostrar as pernas e sair com um copo de bebida em mãos nas fotos do facebook te inutiliza como profissional e torna impossível o seu sucesso na vida acadêmica.

Quem é superficial afinal?

Uma das coisas que mais me irrita é quando as pessoas me dizem que sou muito mais legal do que pareço.

Fico me perguntando o tempo todo porque as pessoas não dedicam um tempo da vida delas para conhecerem umas as outras. Não é tão difícil quebrar preconceitos. É só parar com esse vício extremo de julgar.

Inferiorizar os outros nunca tornou ninguém superior. Só que as pessoas ainda não aprenderam isso.

Sobre amizade de balada

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Outro dia escutei minha vizinha, que no auge dos seus oitenta anos é bem menos sedentária do que eu, dizer para a filha dela que iria sozinha para o posto de saúde naquela tarde. A filha visivelmente preocupada, perguntou a ela porque não chamaria a Dona Josefa, nossa vizinha de frente.

Com um pouco de mágoa na resposta, minha vizinha disse em alto e bom tom que sua amiga estava sempre disposta a acompanhá-la nas caminhadas e nos bailes da terceira idade. Mas quando ela precisava de companhia para ir ao banco receber a aposentadoria ou passar em uma simples consulta no médico, Dona Josefa arrumava uma desculpa.

O que minha vizinha estava tentando explicar para a filha, é que Dona Josefa é só amiga de balada.

A verdade é que todo mundo tem ao menos um amigo de balada. Aquele que topa todos os passeios, viagens, shows. Que tem um milhão de fotos com você e que acumula histórias engraçadas que vocês já passaram juntos. Mas quando precisa te ajudar em algum trabalho, te acompanhar até o hospital, te consolar de um coração partido, geralmente arruma alguma coisa melhor para fazer e te enche de desculpas.

Isso não é um julgamento. Talvez você mesmo seja amigo de balada de outras pessoas e não faça isso por mal. Amizade de balada se camufla nas luzes, no álcool, na praia, na mesa do bar. Se a gente não souber diferenciar, pode ser surpreendido com uma decepção. E decepção que envolve amigos, dói bem mais do que a que envolve amores.

Não é porque tinha alguém para rir com você das suas piadas num sábado animado ou alguém para segurar seu cabelo num banheiro escuro de balada que essa pessoa se torna seu melhor amigo. Não é porque seu melhor amigo resolveu ficar assistindo filme em casa e não quis sair com você, que ele perdeu o posto. Certas coisas merecem ser relevadas.

Amigo da vida sempre está no meio das histórias ruins, dos passeios sem graça, dos “programas de índio”, na madrugada da internet, no supermercado empurrando o carrinho, te ajudando a trocar o pneu, te machucando como palavras duras quando você está merecendo uns tapas e até te perdoando por ter sido temporariamente trocado por um amigo de balada.

Há boatos de que minha vizinha levou um bolo de fubá para a Dona Gertrudez, uma senhora que morava na nossa rua e se mudou há alguns meses. Dizem também que ela  se desculpou por essa confusão de sentimentos colocando a culpa é claro, na péssima memória que a idade tem lhe causado.

Rainha da expectativa

Uma vez conheci um cara que enlatava sentimentos dentro do próprio coração. Eu achei estranho, mas ele dizia que era mais seguro sentir uma coisa por vez, bem separadinha para não ter confusão. Jurava que era mais feliz que eu, que pareço um liquidificador com tanta coisa pra sentir ao mesmo tempo. Mentira. Ele não chorava, isso eu assumo, mas quando amava fazia cara de prisão de ventre. Porque o amor nunca vem sozinho, puro, único. Vem sempre acompanhado de um monte de outras coisas que ele tentava segurar. Fui embora com medo que ele explodisse e nunca mais vi. Dizem por aí que ele morreu sufocado, mas eu acho que na verdade ele ta só esperando alguém para ajudá-lo a desentalar.

Eu, pelo contrário, raras vezes me entalo. Acontece de vez em quando, quando eu não consigo segurar a carga de sentimentos misturados e tento engolir o choro. Mas depois de engasgar, cuspo um monte de palavras sem sentido aqui e abraço um elefante mentalmente, costuma dar certo.

Também conheci gente que dizia que não criava expectativas. Eu sei que é mentira, todo mundo cria expectativas. E eles também sabem que essa história de propagar o estilo de vida que não cria expectativas é um modo de alimentar a própria expectativa de não esperar nada de ninguém.

Eu coleciono expectativas. Tenho tantas que costumo dizer que quando morrer vou precisar de dois caixões: um para mim e um para elas. E garanto que o delas vai ser bem mais pesado que o meu.

Já ouvi muito malandro colocar a culpa da decepção nas expectativas. Caô. Quem machuca não é a expectativa. É a falta de empenho em surpreender. É o descaso. O desinteresse. A mentira. Isso machuca. Expectativa é só sonho. Daqueles que se sonha acordado e a gente controla o início, o meio e o fim.

Fui coroada enfim, rainha da expectativa. Dessas que casam e descasam um milhão de vezes em pensamento. Dessas que recebem oitenta buquês de flores imaginários em datas especiais e nem tão especiais assim. Dessas que comemoram, mentalmente o aniversário de cinco anos de namoro com o bonitinho que lê qualquer livro legal no metrô. Dessas que tem respostas perfeitas para todas as discussões que nunca existiram. E nenhuma resposta para suas próprias perguntas.

Mas que esperam o melhor o tempo todo, ainda que o melhor demore a chegar.

O dia que eu parei de amar meu amor platônico.

Foi em um dia desses qualquer, domingo chuvoso, final de campeonato mundial em território nacional de um país cheio de esperanças que eu percebi que acabou o amor entre eu e você.

Eu me peguei olhando para o teto e tentando achar algum vestígio de sentimento nesse coração meio vazio e não achei nada que tivesse o seu nome. Nenhuma boa imaginação, ou sonho ou esperança ou desilusão ou mágoa. Não sei onde tudo aquilo foi parar.

Saí correndo e peguei uma foto sua amassada dentro da bolsa. Aquela que um dia eu escrevi textos apaixonados e iludidos esperando desesperadamente o dia que a gente ia se encontrar. Acabou que a gente não se encontrou e eu não me importei.

De repente você virou uma pessoa normal. Um indiferente aí pela multidão. E eu cheguei a conclusão mais estranha da vida: eu parei de amar meu amor platônico.

E o que acontece agora? Quer dizer, quem eu vou idealizar quando me decepcionar com um amor real? 

Eu ainda te acho bonito. Talvez até lindo. Mas tem tanta gente linda no mundo que isso não significa nada. E eu te acho inteligente mas também te acho machista. E fanático. E chato. E falso moralista.

Perdi cara. Acabou a nossa química a distância. O nosso casamento nos meus sonhos. Os nossos filhos morenos de olhos verdes. Eu to caindo fora dessa relação platônica e nem preciso separar nossos bens. Você pode ficar com os bens e com os maus que eu não vou ligar. Não vou ligar porque eu ganhei um espaço dentro do coração para ocupar com pessoas reais.

E com sofrimentos reais. E com felicidade real. E com amor real. E aqui, não tem espaço pra você.

 

Lo siento.

 

As vezes me da vontade de saber se

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As vezes me da vontade de saber se existe mesmo essa história de ligação. E de de repente no meio da rua você encontrar alguém que combine perfeitamente com você. Alguém que goste das mesmas músicas que você gosta, que tenha as mesmas manias irritantes ou que ao menos tolere suas manias sem se importar. Alguém que ria das suas piadas sem graça e que ouça o que você diz.

Eu queria saber se existe alguém no mundo com quem você consiga se comunicar através do olhar. E que a vontade de estarem juntos seja o suficiente para não precisarem de mais ninguém. Queria acreditar que existe um jeito de se apegar, de se enrolar, de dar nó sem se machucar. Um jeito de se divertir grande parte do tempo com alguém como se aquela pessoa fosse seu melhor amigo, mas sabendo que é muito mais do que aquilo.

Me da vontade de saber que o destino traz pessoas imperfeitas na medida para serem incríveis juntas. Se ele une sorrisos e vontades e carinhos e quando você percebe só tem vocês e esse monte de coisa boa. Se ele traz companheiros de todas as horas. Gente que gosta de jogar água na cara e brincar feito criança. Gente que come doce de madrugada. Gente que faz a gente chorar de dar risada.

Eu queria mesmo saber se existe isso tudo em algum lugar. Se alguém por aí tem um relacionamento que não é de mentira e realmente faz ambas as partes felizes. Se dá pra fazer da sua vida um filme e não uma novela. Porque se der, já adianto, quero isso pra mim.